Sabores

Vinhos & Sabores: Jesus e Teresa formaram o Par Perfeito

O dono do restaurante Jesus é Goês e a sommelier da João M Barbosa Vinhos foram os grandes vencedores do primeiro concurso de pairings da Feira Vinhos & Sabores.

TEXTO Ricardo Dias Felner
FOTO Ricardo Palma Veiga

Quando pensou no prato para apresentar a concurso, Jesus Lee teve dúvidas. Ainda ponderou levar o caril de gambas, mas acabou por escolher o seu preferido: chacuti de cabrito. A decisão foi solitária e talvez por isso o homem por trás do restaurante Jesus é Goês, em Lisboa, não tenha dado importância, para efeitos de pairing com o vinho, ao facto de se tratar de uma das comidas com mais especiarias de toda a gastronomia indo-portuguesa e indiana.
Não deu ele, mas deu a sua parceira de concurso. Teresa Matos Barbosa, sommelier e directora comercial da empresa João M Barbosa Vinhos, que tem no Ninfa a sua marca mais conhecida, começou por ficar aflita. Valeu-lhe o facto de já ser fornecedora de Jesus, bem como cliente do restaurante. “Conhecia bem o chacuti dele e sabia das dificuldades”, disse à Grandes Escolhas, num almoço dias depois do concurso, no próprio Jesus é Goês. “Tem tantas especiarias e picante, o sabor é tão intenso, que a proteína no caso nem importa muito.”
A dupla actuou no segundo dia da feira Grandes Escolhas Vinhos & Sabores, que teve lugar na FIL, entre 26 e 29 de Outubro. Como todos os restantes concorrentes, o chef teve de cozinhar ao vivo um prato, enquanto a sommelier escolhia o vinho que com ele melhor casava. A selecção de garrafas disponíveis (num total de 30) foi da responsabilidade da revista Grandes Escolhas e os concorrentes só tiveram conhecimento dela no momento.
No final do showcooking, o público que acorreu à FIL pôde provar cada um dos pratos, com o vinho escolhido. Cada provador fez também de crítico gastronómico e votou, em boletim fechado, no melhor pairing.
Entre as seis duplas concorrentes, estavam chefs de cozinhas de várias regiões do mundo, desde Luís Cardoso, do Soão – Taberna Asiática, a Ivo Tavares, do Izcalli (mexicano), até chefs de cozinha portuguesa ou de fine dining, como Tiago Emanuel Santos, do restaurante Quorum, Leopoldo Garcia Calhau, muito influenciado pela cozinha alentejana, e Guilherme Spalk, chef executivo da Taberna Fina.
Assim que Jesus e Teresa acabaram a sua performance foi evidente o sucesso entre o público, que esgotou os lugares sentados e ficou de pé, em volta da cozinha móvel. Mal o chacuti foi posto ao lume, o aroma a cardamomo, anis, gengibre, cominhos — e muitas outras especiarias — espalhou-se pelo pavilhão da FIL, provocando uma afluência recorde.
Jesus ensinou a receita do prato e no fim ainda ofereceu a cada membro do público um saquinho com a sua mistura de especiarias, para levarem para casa.
Quanto a Teresa Matos Barbosa, a sua preocupação foi arranjar um vinho que “apagasse o fogo provocado pelas especiarias e pelo picante”. Ainda pegou num branco de Susana Esteban, o Procura, e também no Bombeira do Guadiana Reserva Tinto, mas acabou por ser o Beyra Grande Reserva 2015, tinto, a cumprir a função de “dar doçura, com algum tanino, não muito seco”. Truque importante para a vitória e para todos os que gostam de cozinha indiana e goesa: o vinho foi refrescado e servido a cerca de 14 graus.

Escreva um comentário