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Álcool no vinho mantém-se em alta, diz a Liv-ex

By 28 de Junho, 2021 Sem comentários

TEXTO Luís Lopes

É do conhecimento da grande maioria dos apreciadores que os teores alcoólicos no vinho subiram consideravelmente ao longo dos últimos 30 anos.  Mas, por um lado, nem sempre esta percepção generalizada foi claramente quantificada. E, por outro, existe a sensação de que, nos últimos anos, tem até havido uma certa diminuição do álcool nas gamas superiores. Mas não foi isso que a Liv-ex encontrou nos seus registos. A Liv-ex é um “trader” internacional que através de uma plataforma de negócios coloca em contacto vendedores e compradores profissionais de vinho um pouco por todo o mundo, para além de organizar serviços de armazenamento, transporte e pagamento. Nos seus armazéns passam milhões de garrafas, oriundas das principais regiões vitivinícolas, sendo os dados de cada amostra registados manualmente no sistema informático. Até à data, entre outras informações, foram registados os teores alcoólicos da rotulagem de cerca de 35.000 diferentes vinhos. Quando fez uma pesquisa por teores de álcool no vinho (para cálculo de taxas e impostos) uma tendência começou a definir-se para a Liv-ex: globalmente, o álcool subiu muito nas principais regiões e não mostra tendência para descer.

Segundo os dados disponibilizados pela Liv-ex, regiões como Califórnia (média acima de 14,5% álcool), Toscana e Piemonte (ambas acima de 14% em média) aumentaram, em média, 1 a 1,5% os teores alcoólicos dos vinhos tintos entre o início da década de 90 e o momento presente. Algo que não surpreende ninguém, é essa igualmente a percepção que temos em Portugal. Mas o dado mais curioso é que, entre 2010 e 2019, o salto alcoólico dado na década anterior manteve-se estagnado, sem grandes sinais de diminuir. Aliás, no caso dos vinhos de Bordéus, aumentou mesmo de forma significativa, ainda que partindo de uma base mais baixa. A única região que, entre 1990 e 2020, pouco cresceu nos teores alcoólicos dos seus tintos foi a Borgonha.

O aquecimento global não explica tudo, uma vez que, até certo ponto, é possível contrariar os efeitos das alterações climáticas nas uvas (no pressuposto de manter as mesmas castas nos mesmos locais) através de mudanças na viticultura (gestão de copa, datas de vindima, etc.) ou na adega (leveduras que transformam mais açúcar produzindo menos álcool, osmose inversa, etc.). Mas as preferências dos consumidores, que privilegiam vinhos potentes e concentrados, tiveram, segundo os promotores do estudo, um papel muito importante na manutenção desta tendência.

Mais preocupante, no entanto, é o facto de, como recorda a Liv-ex, este estudo ter sido feito com base no álcool registado no rótulo do vinho e as margens de tolerância na rotulagem serem elevadas. A título de exemplo, a maior parte das regiões europeias admite uma margem de 0,5% de tolerância, mas os USA aceitam 1% de margem nos valores medidos acima de 14%; e 1,5% de margem nos valores medidos em 14% ou menos. Significa isto que, na prática, nos USA um vinho com 15% reais pode indicar 14% no rótulo e um vinho com 14% reais poderá indicar 12,5%. Ou seja, com elevada probabilidade, os resultados do estudo, que apontam para a não diminuição dos teores alcoólicos, podem pecar por defeito…

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