QUINTA DOS LOIVOS: A promessa de uma nova estrela no Douro

Se a isso juntarmos a ambição de ali, em Casal dos Loivos, erguer-se, em breve, uma adega e, a partir de Abril, um restaurante de referência com assinatura de um chefe com pergaminhos, de nome Vitor Adão, a que se seguirá, mais tarde, um hotel de charme, ficamos com a ideia que vontade e ambição não faltarão para ali estar, a breve prazo, um dos spots mais mediáticos do Douro. Esta é afinal uma pequena jóia com capitais brasileiros, por um lado, e a criatividade portuguesa, por outro, alicerçada numa meia dúzia de profissionais com provas dadas na região, tornaram possível concretizar em relativamente pouco tempo – foi há poucos meses que comecei a ouvir a experiente Ana Mota falar, com um entusiasmo de menina, sobre o novo projecto em que mergulhou de corpo inteiro.

Hoje, como directora de operações e responsável pela viticultura da Quinta dos Loivos, de 12 hectares, dos quais sete são vinha, sente-se no brilho dos seus olhos o quanto esta tarefa a entusiasma: “É um desafio apaixonante, um investimento de enorme qualidade, único e cativante.” Não está sozinha. Jorge Alves, enólogo consultor, volta a trabalhar na mesma equipa e partilha do entusiasmo: “A Quinta dos Loivos é um projecto emblemático. A altitude, o xisto, o microclima, tudo se junta para criar vinhos únicos.” Jorge Alves conta com o apoio de Adriana Covas, na função de enóloga residente. Por trás, tiveram a vasta experiência no Douro de Bruno Simões, como Business Developer, que concebeu o projecto e resumiu num parágrafo aquilo que o cativou: “A paisagem da Quinta dos Loivos é inigualável – uma visão circular sobre o Douro, onde o rio se revela em três direcções. Do ponto mais alto, junto a um antigo marco militar, vemos seis ou sete concelhos e sentimos o Douro em toda a sua dimensão.”

Produções limitadas

Na mente dos responsáveis, conforme foi insistentemente referido, esteve sempre a preocupação na conservação do riquíssimo património natural que a propriedade usufrui. Neste sentido, uma das grandes mais-valias da Quinta dos Loivos são as vinhas velhas, algumas delas centenárias, plantadas em solos de xisto muito duro e com grande inclinação, que obrigaram a um paciente e demorado trabalho de identificação das castas, operação que contou com a colaboração do viticultor António Magalhães. O resultado desta pesquisa foi surpreendente, na medida em que foram identificadas 74 variedades, o que dá bem a ideia do potencial que a propriedade encerra.

Os vinhos que foram dados a provar à imprensa especializada nesta primeira apresentação, decorrida no restaurante Plano, em Lisboa, dão algumas pistas sobre o que se pode esperar no futuro. Ainda com produções muito limitadas e com recurso a uvas compradas à produção, no caso dos vinhos de entrada de gama, nota-se o fio condutor que norteia o projecto. A marca Venera, constituída por seis vinhos com as gamas Colheita, Reserva e Grande Reserva compreendem as versões branco, rosé e tinto, e chegam ao mercado com uma tipologia de preços bem definida: cerca de 13€ para os Colheita, 30€ para os Reserva, e 40€ para os Grande Reserva.

Já os três vinhos apresentados com a chancela Quinta dos Loivos são produzidos exclusivamente a partir de vinhas próprias, em quantidades muito limitadas (na ordem das centenas de garrafas) e obedecem a um critério curioso e pouco frequente: são lotes feitos, não tanto a partir das suas castas – quase sempre vinhas velhas com variedades misturadas –, mas a partir da orientação solar das várias parcelas da quinta. Assim temos o Loivos Nascente, elaborado com uvas vindimadas nas vinhas voltadas para Leste; o Loivos Poente, de uvas colhidas nas vinhas viradas a Oeste; e o Loivos Sul, onde as vinhas acabam por ter o maior tempo de exposição solar. Esta opção reflecte-se necessariamente no perfil dos vinhos, embora o padrão qualitativo, muito alto, diga-se, não registe alterações significativas.

A expectativa criada é grande e será, por certo, interessante verificar até que ponto, no futuro, com a produção dos vinhos a entrar em modo standard, a qualidade agora apresentada se manterá quando as quantidades produzidas forem substancialmente aumentadas. Arrojo, competência e recursos não faltam para atingir esse desiderato.

 

Os três vinhos com a chancela Quinta dos Loivos são produzidos exclusivamente a partir de vinhas próprias e em quantidades muito limitadas

 Loivos

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

 

 

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